Câmbio no quadro e Convento como testemunha: O primeiro triathlon a gente nunca esquece

Câmbio no quadro e Convento como testemunha: O primeiro triathlon a gente nunca esquece

O meu início no triathlon aconteceu em 1987, nas primeiras edições de uma das provas mais bonitas e antigas das Américas, o Triathlon do Exército em Vila Velha (ES). Por ser capixaba (e principalmente de Vila Velha), era um grande orgulho poder participar dessa prova “dentro de casa”, mesmo tendo pouca experiência na modalidade. Além disso, desde muito novo sempre fui muito ligado ao esporte e por isso poder conciliar três modalidades em uma única prova me encantou muito. Com certeza tenho provas que mereciam estar aqui, a exemplo do meu IronMan, 2014, mas a de 87, por toda sua dificuldade de treinamento, por ser “dentro de casa” e, principalmente, pela ansiedade gerada em mim, na época, pelo fato de ter sido o primeiro contato com esse esporte maravilhoso,  ficará para sempre marcada como “meu triathlon inesquecível”.

OS TREINOS
Naquela época os equipamentos eram precários, não existiam grandes informações sobre tênis, bicicletas ou treinamentos específicos. Ainda assim, montamos uma equipe com atletas locais e começamos a dividir as experiências de cada um, pois tínhamos no grupo professor de natação, corredores e atletas de outras modalidades. Alguns integrantes possuíam bicicleta de alumínio, mas a grande maioria da equipe teve que enfrentar a rotina de treinamento e o percurso da prova com as famosas Caloi e Monark 10 com trocador de câmbio ainda no quadro! Devido as dificuldades também financeiras da época, os treinamentos de natação eram realizados em um clube (em que um dos integrantes da nossa equipe era professor),  após o término das aulas dos associados, o que acontecia bem no final da noite. Menos mal que voltávamos para casa de bicicleta, aproveitando esse retorno para treinar ciclismo. Os treinamentos de corrida eram realizados na orla da Praia da Costa e nas subidas dos morros do Moreno e do Convento da Penha. E assim preparação foi sendo montada.

A PROVA
A prova foi realizada praticamente toda dentro da cidade de Vila Velha. A largada da natação aconteceu na Prainha, na Escola de Aprendizes de Marinheiros da Marinha e terminou, na mesma Prainha, nas dependências do 38º Batalhão de Infantaria do Exército. Ciclismo e corrida também aconteceram nos limites urbanos, com chegada no 38º BI. Lembro-me como se fosse hoje (e, com certeza, essa lembrança foi um dos motivos que me fizeram apaixonar por esse maravilhoso mundo do triathlon) do percurso final da corrida, ao entrarmos na avenida principal, já no Exército, tendo ao fundo a vista do Convento da Penha e, no fim da reta, o pórtico de chegada, com uma multidão nos aguardando e a famosa banda do 38º BI tocando temas alusivos ao esporte.

HOJE
Acho que nós, atletas da “velha guarda”, temos que ter sempre em nossos arquivos pessoais lembranças de triathlons inesquecíveis como esse a fim de buscarmos forças e disposição para estarmos sempre ativos para treinar cada vez mais e tentar acompanhar de perto essa rapaziada nova que a cada dia está melhor e mais rápida. Nossa presença ainda em atividade participando de provas de triathlon vem comprovar que tudo que é feito com paixão e prazer sempre renderá condições de se perpetuar por um tempo maior! Toda a tecnologia hoje existente no triathlon, com bicicletas de carbono, equipamentos super modernos, treinamentos diferenciados, roupas e acessórios cada vez mais coloridos, com certeza faz a diferença nos milésimos de segundo para os competitivos e potencializa o glamour desse esporte, mas nada faz mais a diferença que a verdadeira essência do triathlon que é a de encaixar as três modalidades da melhor forma e participar nas provas para rever os amigos e colocar o papo em dia!

Fabrício Perovano é Maratonista e Triatleta IRONMAN

 

     

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Comentários

  1. Bibito! Época de ouro , por que tudo era muito difícil. As conquistas eram realmente muito suadas. Éramos um grupo muito pequeno de triatletas. E era sempre uma festa o pós prova. Vc sempre positivo. Energia boa. Concordo com tudo que vc falou. E lembro como se fosse hoje dos equipamentos. Parabéns pelo depoimento, ele me levou lá pro comecinho das nossas histórias. Bjão

  2. Falar de vc é muito bom. Determinado, amigo e muito batalhador. Vc vive esse esporte com muita garra, determinação e empenho. Suas vitórias são exemplo pra muitos, pois treinar de madrugada e ir trabalhar não é pra qualquer um. Parabéns por ser essa pessoa tao iluminada por Deus. Que vc continue tendo força e Fé pra vencer todos esses desafios. Só uma coisa: quero te ver treinando outra vez. Um beijo.

  3. Amigo Fabrício:

    Tu és um cara fora-de-série, que sempre me ensinou e me ajudou muito quando eu ainda morava no Espírito Santo. Agradecer-te sempre será insuficiente. Sinto orgulho de ter convivido contigo por tantos anos. Desejo-te todo o bem que tens dedicado aos outros!

  4. Bibito , você e’ um guerreiro e vencedor como atleta . O seu relato só demonstra a sua capacidade de superar ‘as adversidades e desafios . Não tenho dúvidas nenhuma de que essa mesma força , aliada a Fe’ em Deus o fará superar também essa batalha no campo pessoal .

  5. Bibito vc é um vencedor! Qdo podia acompanhava algumas provas e via ali um homem tentando superar desafios, em todos os sentidos. Acordava de madrugada pra treinar devido ao trabalho e participava com toda garra e amor. Apesar de algumas dificuldades hj, devido o quadro de saúde de Bebel, que está sendo acompanhado por grandes médicos e logo ela estará boa. Vc não pode deixar de acreditar no seu potencial e seguir em frente para superar grandes desafios e viver momentos tão gratificantes na sua vida. Um beijo.

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